Os irmãos cineastas Matthew Kooman e Daniel Kooman relataram episódios inesperados durante as filmagens do longa-metragem Daniel, baseado no profeta do exílio na Babilônia. Segundo eles, as gravações ocorreram com uso literal de trechos das Escrituras, o que coincidiu com mudanças nas condições do ambiente no set.
Daniel Kooman afirmou: “Quando estávamos filmando essas cenas, coisas incríveis aconteciam. O vento soprava como se estivesse ventando de verdade. Árvores balançavam. Tendas literalmente voavam para fora do set”.
A produção faz parte de um projeto conduzido pelos irmãos há cerca de 20 anos por meio da empresa UnveilTV. O filme Daniel arrecadou aproximadamente US$ 1,2 milhão em financiamento coletivo. Daniel afirmou: “Nós literalmente oramos antes de fazer este filme: ‘Deus, se o Senhor não deve fazer este filme, deixe-nos fazê-lo’”.
O longa representa uma etapa relevante para os irmãos, que trabalham em conjunto com Andrew Kooman, e marca o início de uma adaptação bíblica focada nos primeiros capítulos do livro de Daniel. A proposta é desenvolver uma narrativa centrada na juventude do personagem, com possibilidade de expansão futura.
Matthew afirmou que a base do projeto está na formação familiar: “Crescemos em um lar onde a Bíblia era muito amada; ela estava sempre aberta à mesa de jantar e nós a líamos”. Ele acrescentou que o interesse por produções bíblicas surgiu ainda no início da trajetória no cinema.
A decisão de desenvolver o filme ganhou força após os lockdowns de 2020, durante a pandemia de COVID-19. Segundo Matthew, o contexto permitiu uma nova leitura da narrativa: “A história de Daniel, depois do confinamento em 2020, nos proporcionou uma abordagem que pareceu muito original e realmente aplicável à cultura ocidental atual”.
Ele também destacou mudanças no setor audiovisual, mencionando o impacto de produções como The Chosen. “O mercado realmente se abriu para que histórias como essa sejam contadas e recebidas de uma forma mais ampla”, afirmou.
Os cineastas optaram por concentrar o enredo nos primeiros anos de Daniel após identificarem, em uma tradução completa da Bíblia Judaica, que o personagem e seus companheiros eram descritos como jovens quando levados para a Babilônia. Matthew declarou: “Havia essa sensação de juventude e essa abordagem do jovem Daniel, que eu acho que não tínhamos visto antes”.
O filme aborda principalmente os três primeiros capítulos do livro bíblico e foi concebido como longa-metragem, e não como série. Matthew afirmou: “Há algo especial em assistir a uma história juntos em uma tela grande. Você pode sentar, assistir e absorver tudo”.
Durante a produção, os irmãos destacaram a busca por precisão. O roteiro foi revisado por pastores, teólogos e historiadores. Daniel afirmou: “É como andar na corda bamba, e também é assustador”. Ele acrescentou que trechos das Escrituras foram utilizados de forma literal em diversas cenas e que a equipe consultava constantemente o texto bíblico durante as filmagens.
As gravações ocorreram na Índia. Em uma das cenas, que retrata a estátua do rei Nabucodonosor, a equipe observou pessoas realizando práticas religiosas nas proximidades. Matthew declarou: “A ironia deste momento é muito, muito forte”.
No mesmo período, foram filmadas cenas da fornalha ardente. Segundo os produtores, o impacto emocional dessas gravações afetou parte do elenco. Matthew afirmou que um dos atores comentou: “Nunca vi isso vindo de atores”.
A trilha sonora do filme inclui uma nova versão do hino Awesome God, interpretada por Michael W. Smith. A colaboração ocorreu por meio do compositor Tyler Michael Smith, que participou da produção musical.
Os irmãos afirmaram que o objetivo do filme é estimular reflexões sobre fé e posicionamento público. Matthew declarou: “Estamos dispostos a ter coragem? Estamos dispostos a ser ousados na esfera pública?”.
Eles também citaram um trecho bíblico do livro de Daniel, capítulo 3, versículos 17 e 18, em que os personagens Sadraque, Mesaque e Abednego afirmam que manteriam sua posição independentemente das consequências. Daniel afirmou: “Essa não é uma fé superficial. Essa é uma fé verdadeiramente ousada”.
Matthew destacou ainda a relação entre fé e poder político retratada na narrativa. “Eles compareceram perante reis. A política ficou em segundo plano quando chegou a hora da verdade. Eles defenderam aquilo em que acreditavam”, disse, segundo o The Christian Post.
Daniel Kooman concluiu destacando a permanência dessas histórias ao longo do tempo: “Ainda contamos as histórias deles hoje por causa desses atos de fé”. Ele acrescentou: “Então, podemos viver com esse tipo de fé e ver Deus nos libertar em nossas próprias vidas?”.












