A Associação Médica Britânica revisou sua posição sobre o Relatório Cass, documento independente que avaliou o uso de bloqueadores da puberdade em crianças e adolescentes no Reino Unido. A mudança foi apresentada após uma avaliação interna de dois anos divulgada no artigo “Revisão Cass: Evidências, Interpretação e Implementação”.
O professor David Strain, coautor da análise da BMA, afirmou que a pediatra Hilary Cass agiu corretamente ao interpretar os dados disponíveis. Segundo ele, o relatório seguiu o princípio médico de “primeiro, não causar dano”. Questionado sobre quais das 32 recomendações da revisão a entidade ainda contestaria, Strain respondeu que não conseguia apontar nenhuma.
A mudança representa um recuo em relação à posição adotada pela associação em julho de 2024, quando o conselho da entidade classificou as conclusões do relatório como “infundadas”, pediu uma revisão pública e defendeu o fim da proibição dos bloqueadores da puberdade. A reação gerou críticas de médicos ligados à própria entidade, levando a BMA a assumir posteriormente uma posição de neutralidade e criar um grupo interno de avaliação.
Em artigo publicado pela Christian Medical Fellowship, o médico Trevor Stammers afirmou que o novo posicionamento da BMA reconhece que as evidências favoráveis ao uso de bloqueadores da puberdade e hormônios de afirmação de gênero em jovens permanecem “limitadas e incertas”.
Apesar da revisão, a associação segue sem apoiar uma proibição total dos tratamentos. O grupo avaliador considerou que uma proibição legal ampla poderia representar interferência política na autonomia clínica dos médicos, embora tenha reconhecido a existência de “danos conhecidos e plausíveis” associados aos bloqueadores da puberdade.
O Relatório Cass foi encomendado pelo NHS para analisar o funcionamento do Serviço de Desenvolvimento da Identidade de Gênero da clínica Tavistock, em Londres. As conclusões contribuíram para o encerramento da unidade, após avaliações de que o modelo centralizado adotado não possuía base científica considerada suficiente.
O documento também apontou aumento da complexidade clínica entre adolescentes encaminhados ao serviço, incluindo maiores índices de depressão, ansiedade, transtornos alimentares, autismo e TDAH.
De acordo com o Christian Daily, dados oficiais mostraram ainda que 382 crianças de até 6 anos foram encaminhadas ao serviço entre 2010 e o fechamento da clínica, incluindo cerca de 70 crianças de 3 e 4 anos.













